ALETHEIA I
Na origem grega da palavra, aletheia não trata a verdade apenas como aquilo que é correto ou verdadeiro, mas como aquilo que deixa de estar oculto e passa a se mostrar. Algo pode estar diante de nós e ainda assim não ser percebido por inteiro. O desvelamento acontece quando aquilo que já estava ali encontra uma condição para ser visto de outra maneira.
Aletheia é pensada como um caminho. O desvelamento não acontece de uma vez nem segue um percurso linear. Aquilo que parecia evidente pode revelar outros aspectos à medida que o olhar se modifica e novas relações se estabelecem.
O primeiro ato é a descoberta.
O percurso começa colocando lado a lado dois elementos distintos: a pérola e o cubo. De um lado, uma matéria natural, orgânica e irregular, cuja forma não é completamente controlada. Do outro, uma forma geométrica precisa, construída e repetível.
Nenhuma das duas formas tenta se tornar a outra. O interesse está no que acontece quando elas passam a ocupar o mesmo espaço. A diferença entre elas modifica a percepção de cada uma: a geometria torna mais evidente a irregularidade da pérola; a pérola altera a maneira como percebemos a precisão e a repetição do cubo.
É desse primeiro encontro que surgem Intervalo, Nexo e Contenção. As três peças partem dos mesmos elementos, mas estabelecem relações diferentes entre eles. No colar, a repetição cria intervalos e constrói um ritmo. No brinco, os elementos se conectam, mas sua relação não é fixa: a construção permite diferentes configurações no corpo. No anel, a pérola ocupa o interior da estrutura cúbica, contida por uma forma que contrasta com a sua.
Esse é apenas o primeiro movimento de Aletheia. O que começa como descoberta continua à medida que a relação entre objeto e corpo se modifica.
